O tema apresentado nesta manifestação ganhou, nos últimos anos, uma importância primária no contexto do debate internacional sobre a arquitectura.
E é sintomático que se sinta também em Portugal, País com uma das mais altas taxas de desenvolvimento no sector da construção na Europa do último decénio do século, a necessidade de falar deste argumento.
Na fase de execução, já não se pode falar do projecto de arquitectura, sem falar dos outros projectos paralelos, das mil especialidades que nos acompanham e que participam na definição dos pormenores construtivos, enquanto que o espaço para a improvisação e adaptação em obra, se transforma cada vez mais numa visão mecânica do projecto (como se a arquitectura fosse um automóvel, como se não existisse contexto físico e institucional).
É supérfluo citar as numerosas alterações estruturais que a indústria da construção teve em Portugal, para poder afirmar que a figura do arquitecto, artesão e artista, assim como foi pensada até agora, corre perigo de deixar de ser necessária nos processos de produção, para os quais o projecto significa cada vez mais capacidade de domínio das técnicas e dos tempos de gestão da obra.
A Europa chega aqui, em maneira homologante, com os seus regulamentos de segurança, "management" financeiro, infra estruturas, planos urbanísticos, standartização: aquilo que pode transformar o projecto de arquitectura numa das especialidades, um facto simplesmente burocrático e o arquitecto de Autor, passa a ser um dos autores da obra e nem sequer um dos mais importantes. O domínio do arquitecto tende a ficar cada vez mais limitado, a deslocar-se na direcção da dimensão comercial do puro desenho de fachada. Arquitectura versus stiling. As sementes elaboradas terão a capacidade de substituir a sapiente interpretação da natureza de que são capazes as mãos hábeis dos artesãos? Os catálogos e o CAD substituirão o estirador e a imaginação do arquitecto?
Paradoxalmente, a lentidão com a qual o País absorveu a modernização, permitiu preservar um grande património de sítios e paisagens, culturas materiais, os quais, agora constituem referências projectuais, com a condição de que todos os cidadãos sejam capazes de distinguir a importância da boa arquitectura para além dos aspectos económicos mais imediatos ou dos valores estéticos condicionados pela moda do momento.
Então será necessária uma arquitectura capaz de ler dentro do contexto, os valores, ainda que mínimos, da qualidade ambiental e cultural a valorizar, lançar com recursos financeiros limitados processos de requalificação de inteiras áreas urbanas assim como de pequenos fragmentos rurais; de propor através da qualidade das funções, dos materiais, das técnicas e do desenho que a arquitectura exprima um valor adjunto aos lugares (também no sentido económico, e porque não?).
Sítios que esperam apenas a actuação dos poucos arquitectos que possuem uma rara sensibilidade na percepção do ambiente, utilizando materiais antigos e modernos, mas que não deixam de ter em consideração as actuais exigências materialísticas do bem-estar e da qualidade de vida da sociedade contemporânea.
A exposição apresenta alguns, de entre os melhores, que vivem e trabalham em Portugal.
Milão 15 de Junho de 1997
Arq.º António Angelillo
SECRETARIADO
SERGIO ANTÃO
JOSÉ LAMEIRAS
SUSANA CARVALHO
FERREIRA DA SILVA
OLGA MARQUES
LOCALIZAÇÃO
FORUM DA MAIA. MAIA. PORTUGAL
DATA
20 DE JUNHO A 01 DE JULHO DE 1997
ORGANIZAÇÃO
CÂMARA MUNICIPAL DA MAIA
APOIO
FORUM DA MAIA
ESAP/CESAP
LIVRARIA LEITURA