Com a alteração da dimensão temporal, produto da vertiginosa velocidade das deslocações, a arquitectura, como prática artística da transformação do território, produz continuamente novas formas.
Aquelas formas urbanas, conhecidas, dominadas, delimitadas pelas muralhas, pelas vias de circunvalação ou pelas específicas condições morfológicas dos lugares estão em mutação.
O carácter e a qualidade destes novos lugares constituem o motivo de aprofundamento crítico orientador do acontecimento cultural que este ano pretendemos desenvolver. Uma reflexão que resulta da constatação da catástrofe urbana, paisagística e ambiental provocada pelo uso do território subordinado exclusivamente aos interesses económicos.
Consideramos importante introduzir o ponto de vista de quem pretende a construção de um ambiente artificial relacionado com níveis de qualidade aos quais uma comunidade civil tem direito.
Interessa-nos analisar alguns processos no sentido de verificar, através de alguns exemplos de grande qualidade, o carácter das modificações, não de um território definido genericamente, mas do território artificial que se configura como consequência de acções projectuais a várias escalas.
Entendemos demonstrar com obras e projectos localizados na área metropolitana do Porto, e com algumas referências ao território europeu, a possibilidade de construir com a arquitectura formas urbanas capazes de enriquecer a qualidade do território artificial.
Queremos afirmar o direito e a responsabilidade da arquitectura como disciplina responsável pela construção das auto-estradas, dos parques de estacionamento, das pontes, dos túneis, dos supermercados etc. e não apenas da construção de belíssimos objectos arquitectónicos.
Um direito não reservado apenas à arquitectura, mas sim a todas as componentes envolvidas na construção e na modificação da paisagem artificial, orientadas na recuperação e desenvolvimento da qualidade urbana relacionada com as novas funções emergentes dos actuais modelos de desenvolvimento económico.
Formas urbanas coerentes com uma cultura urbana que se revela como expressão da história da relação do homem com lugares específicos.
AUTORES
FÁTIMA FERNANDES E MICHELE CANNATÀ
DESIGNER
JOÃO MACHADO
FOTOGRAFIAS
LUIS FERREIRA ALVES
EDITOR
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@ MICHELE CANNATÀ & FÁTIMA FERNANDES
1ª Edição Outubro de 2002
DEPÓSITO LEGAL
185724/02
ISBN
972-41-3178-5