O edifício propõe a ideia do pombal.
Um sinal do artifício do homem, claramente visível, cromáticamente inconfundível. Um elemento de chamada e de acolhimento ao qual se chega e se repousa para tornar a partir.
O muro da antiga fortaleza e os muros dos terraços agrícolas são a referência física da nova construção.
Uma linha horizontal acentua o perfil irregular do monte.
Um volume que se modela sobre a acidentada morfologia do terreno evidenciando ao seu contacto cada abalamento, cada maciço rochoso, cada irregularidade.
Quer-se construir assim um percurso ao longo do qual se encontram uma série de funções, que engloba as preexistências naturais e artificiais do sítio, enfatizando a paisagem e a morfologia do terreno.
Localizado ao longo do eixo longitudinal da área indicada, o edifício privilegia a fachada sobranceira ao rio e ao centro antigo da cidade.
O alçado Sul é caracterizado por grandes aberturas, usufruindo ao máximo da exposição solar e da visibilidade da paisagem natural e urbana.
A Norte, o edifício aparece-nos semi-enterrado como que a proteger-se na terra rochosa, que em certos pontos aflora os muros internos.
Uma fissura apenas, no contacto da laje de cobertura com o muro encostado à montanha, ilumina o interior, deixando entrever a linha de contacto entre montanha e céu, orientando os utentes ao longo do percurso.
A cota mais alta do edifício coincide com a cota mais alta do maciço rochoso, permitindo acessibilidade directa do exterior a cobertura tratada como um tecto-jardim.
A Oeste, o novo edifício avança com um terraço que funciona como cobertura da casa do Ermitão recuperada como piano-bar e acessível directamente do exterior.
A Este, o edifício perde volume construindo com a sala de conferência encravada num ligeiro abalamento do terreno um anfiteatro que se prolonga com um percurso até atingir o parque com corte de ténis, ponto final de toda a intervenção.
O parque, localizado no actual sobral e enriquecido com uma série de jogos e espaços de estar, privilegia de um terreno propício ao verde, dominando visualmente todo o território circundante.
Além das específicas funções hoteleiras, são previstas outras de carácter complementar, dando resposta às deficiências locais.
Foram assim previstas uma sala de conferências, uma piscina coberta, piano-bar, restaurante, galeria de exposições e parque com corte de ténis.
A capacidade de recepção do hotel é de cinquenta camas em vinte e dois quartos duplos e duas suites, observando as normas respeitantes aos empreendimentos hoteleiros de quatro estrelas.
Os quartos são localizados ao nível mais alto e as duas suites ao nível do átrio de ingresso.
A recepção é localizada no nível intermédio ao centro do edifício.
O acesso aos quartos é diversificado. Do átrio de ingresso é possível subir ao piso superior utilizando o elevador, uma escada e duas rampas simétricas.
A rampa Este corresponde a uma ligeira correcção da inclinação natural do terreno e quando possível a rocha natural é deixada a vista.
Um corredor aberto sobre as rampas de acesso serve os quartos. A grande parede fechada a Norte e os altos pilares isolados que caracterizam o percurso longitudinal foram projectados para funcionar como galeria expositora.
A piscina localiza-se ao nível dos quartos, separada destes através de um pátio a céu aberto.
As paredes da piscina apoiam-se directamente sobre o maciço rochoso que penetra no volume arquitectónico.
A estrutura do edifício é realizada em pilares e vigas em betão armado.
Os muros externos são realizados em tijolos com caixa-de-ar e material isolante, rebocados e tratados com pintura branca.
As caixilharias externas serão realizadas em aço inox e interiormente em madeira tratada com a sua cor natural. Todas as obras metálicas serão realizadas em aço inox. Os muros das divisões interiores são previstos em tijolo rebocado e pintado de branco com lambril em madeira ou pedra conforme o uso específico do local.
Os pavimentos internos serão em madeira, nos locais de uso mais reservado, e em pedra nos átrios e percursos.
Os volumes da entrada ao hotel e da entrada de serviço serão realizados em granito.
Na cobertura será realizado um tecto-jardim, funcional ao isolamento térmico, recuperando e nivelando a área subtraída pelo edifício à montanha.
O acesso existente vem usado como base do traçado viário que servirá todo o empreendimento.
Na cota mais baixa do terreno é previsto um largo de estacionamento que serve uma garagem cuja cobertura realiza um terraço em frente ao piano-bar.
À frente da entrada ao hotel é previsto apenas um largo de manobras que não permita a paragem prolongada de automóveis. É previsto no entanto um parque de estacionamento que funcionará para a sala de conferências num terraço plano na parte baixa do terreno.
As cargas e descargas serão efectuadas no interior de um pequeno túnel que liga a área de depósito do hotel ao exterior, não permitindo a visualização de tal actividade do exterior.


AUTORES
FÁTIMA FERNANDES E MICHELE CANNATÀ

CLIENTE
CÂMARA MUNICIPAL DE MIRANDA DO DOURO

LOCALIZAÇÃO
AZINHAL. MIRANDA DO DOURO

DATA DE PROJECTO
1991


2ª FASE

COM
MAFALDA CARNEIRO

ESTRUTURAS
ANTÓNIO PRADA

REDE DE ÁGUAS E ESGOTOS
ANTÓNIO PRADA

INSTALAÇÕES ELÉCTRICAS, TELEFÓNICAS E SEGURANÇA
TERMOPROJECTO ENGENHARIA E PROJECTOS LDA


Notas:
1º prémio atribuído pelo júri do concurso
HOTEL DO AZINHAL
Projectos