A ideia sobre a qual se baseia a proposta retoma o conceito de parque urbano construído sob a forma de uma ilha artificial. Uma ideia que repropõe uma continuidade do sistema urbano de Veneza.
Assumindo tal conceito, a organização dos elementos que constituem a proposta urbanística para toda a área articula-se em percurso ao longo do qual novas situações e episódios arquitectónicos pretendem prolongar a fantástica história urbana de uma cidade excepcional.
No lado Este, uma grande área verde, murada, irá substituir a actual zona alfandegária restituindo à cidade um espaço público qualificado.
A ilha/parque, caracterizada por duas praças de água, localizadas no topo do lote maior e realizada através da construção de um novo canal, é proposta como elemento central de organização em volta do qual a actual frente urbana se abre sobre a ria.
Com o objectivo de recuperar um carácter mais ligado com o sistema urbano constituído pela relação edifícios/canal, previu-se que uma das praças de água correspondesse ao acesso ao novo complexo, objecto do concurso. A relação entre a água e o edifício estabelece-se através da realização de uma escadaria em pedra calcária branca.
O percurso arquitectónico, constituído por um pórtico coberto, foi pensado enquanto elemento de ligação de possíveis ocasiões de paragem proporcionada pela inserção de funções variadas (espaço para os barcos atracarem, zonas de repouso, café, restaurante, zona de jogos, auditório ao ar livre, etc.). Para além de ser um corredor aberto, a possibilidade de acesso ao piso da cobertura permitirá realizar um percurso a uma cota superior, rica de perspectivas visuais.
A configuração geométrica do projecto nasce da exigência de desenhar uma planta geradora de novos espaços compatíveis com a forma do lote e as condições da envolvente. O canal existente, a irregularidade da área, a geometria dos volumes urbanos e as exigências funcionais do programa de concurso, participaram na elaboração de uma proposta organizada segundo alguns alinhamentos existentes, e contida em dois volumes simples. A forma elíptica é utilizada para construir uma relação directa com a água no ponto de contacto com a frente do canal. Uma forma curva para introduzir um carácter dinâmico ao conjunto. Os dois volumes, nas suas superfícies exteriores, são tratados diferenciadamente, prevendo revestimento em lâminas de cobre no volume elíptico e pedra calcária branca no volume paralelipipédico que contém os espaços didácticos.
O contacto pontual existente entre os dois volumes proporciona as condições aparentemente contraditórias de união física e de autonomia funcional. Ambos os volumes são dotados de acessos autónomos.
Um pátio aberto ao público, a Este, favorece o alinhamento do edifício e garante a iluminação das salas de aula. O carácter público deste espaço permite estabelecer acessos directos ao bar e ao restaurante, localizados no térreo.
AUTORES
FÁTIMA FERNANDES E MICHELE CANNATÀ
COLABORAÇÃO
CRISTINA FERNANDES
VICTOR CORREIA
EDUARDO PEREIRA
CLIENTE
ISTITUTO UNIVERSITARIO DI ARCHITETTURA DI VENEZIA
LOCALIZAÇÃO
VENEZA. ITÁLIA
DATA DE PROJECTO
1998