O território definido entre as Pontes Luís I e D. Maria, localiza-se numa área, neste momento, "periférica" à cidade de Gaia.
O carácter ambíguo da área delimitada para o concurso entre o que se poderá chamar "fora" e "dentro", foi aqui entendida como sendo uma zona de transição. Transição do passado para o futuro, do interior para o exterior, do estático para o dinâmico.
Em função dos condicionalismos apreendidos e do programa urbanístico e infra-estrutural pedidos, o objectivo de recuperar o carácter de centralidade da zona é concretizado através de:
Requalificação do existente, redesenhando e alterando pontualmente o seu traçado com a introdução de novos elementos: a praça e estação de metro de superfície, com parque de estacionamento subterrâneo; a ponte subaquática de circulação automóvel que elimina o trânsito no tabuleiro inferior da Ponte Luís I e o elevador que estabelece a ligação entre as várias cotas.
Recuperação da acessibilidade de barco, através da criação de três caís: CDUP, Senhor d'Além e Marginal de Gaia.
Inserção de novas funções integradas nas partes existentes degradadas, promovendo novas dinâmicas nas actividades de trabalho e lazer, nomeadamente: Escola-Museu da Olaria; Habitação para estudantes, investigadores e artistas, com escritório/atelier anexos; Hotel e Restaurante; recuperação e ampliação das habitações existentes para albergar novas famílias; Reabilitação de ruína para Centro de Turismo e espaço cultural com comércio.
Redesenho dos espaços públicos, através da introdução de planos inclinados concebidos para "facilitar" as ligações verticais e recuperar, para o uso público, partes intersticiais abandonadas.
Mais do que dar respostas arquitectónicas parciais, a intervenção fundamenta-se na ideia de estabelecer relações entre forma urbana e preexistências naturais e artificiais. Uma preocupação expressa na recuperação de espaços que, respeitando as indicações programáticas de planificação urbanística previstas, desenvolve alguns projectos, atribuindo formas e atitudes compatíveis com o carácter central, histórico e paisagístico da área de intervenção.
A filosofia de intervenção é direccionada para a conservação das formas ligadas à memória colectiva, à recuperação das estruturas existentes e à introdução de novas funções que estabeleçam novos fluxos vitais a partir de alguns pontos sensíveis à estratégia projectual.
AUTORES
FÁTIMA FERNANDES E MICHELE CANNATÀ
COLABORAÇÃO
CRISTINA FERNANDES
VICTOR CORREIA
ROSÁRIO ABREU
ILDA MARQUES
RUI SOUTO
SARA MARQUES
CLIENTE
ISTITUTO UNIVERSITARIO DI ARCHITETTURA DI VENEZIA
LOCALIZAÇÃO
VILA NOVA DE GAIA. PORTUGAL
DATA DE PROJECTO
1998
Bibliografia:
Projecto de Conexão Urbana entre porto e Vila Nova de Gaia in Formas Urbanas. Colecção Paisagens Artificiais. Edições ASA. Pag. 101 a 113
Deslocação e Proximidade - As novas paisagens do Habitat in Catálogo EUROPAN 5. Pag. 38 e 39