O núcleo urbano de Bemposta, localizado no concelho de Mogadouro, assume-se actualmente como uma das realidades urbanas mais qualificadas e mais dinâmicas, inseridas no Parque Natural do Douro Internacional.
O projecto do Centro de Interpretação Ambiental e Núcleo Museológico do Parque Natural do Douro Internacional, surge com o objectivo de preencher uma grave lacuna ao nível do estudo e divulgação do património referido, derivada da inexistência de equipamentos deste cariz. O programa que pretende apresentar esta estrutura, permite relacionar os diversos factores de desenvolvimento ambiental com o passado da região, apontar caminhos e definir objectivos para sua afirmação como património de grande destaque no panorama nacional e internacional.
A crescente afirmação do ambiente e da arquitectura como disciplinas implícitas à qualidade de vida contemporânea realça a importância deste projecto, garantindo de igual forma que a aposta nesta tipologia de equipamentos é oportuna e de grande significado estratégico para o desenvolvimento do território.
O projecto pretende que o edifício se posicione no território do Parque Natural do Douro Internacional como uma PORTA DE ACESSO AO PARQUE à informação tratada e disponível para conhecimento e uso dos visitantes mais ou menos especializados, interessados em estudar e conhecer a matéria ambiental, natural e artificial existente.
Neste sentido o edifício propõe-se como uma caixa paralelipipédica, aberta num dos topos e perfurada por uma infinidade de ponto que ao iluminarem-se, ao escurecer orientam o visitante e funcionam como farol no planalto do Parque.
Aqui, no edifício, será oferecida ao visitante a introdução ao espólio disperso pelo parque através da documentação exposta em material documental e audiovisuais e fornecida a orientação necessária para que este tenha acesso aos lugares físicos onde esta se localiza.
O edifício projectado destaca-se da envolvente quer materialmente, quer volumétricamente. Formalizado a partir de uma peça geométrica rigorosa, paralelipipédica, à qual se subtrai o negativo que proporciona o sistema de escadas de emergência na fachada Oeste, e se projecta uma "boca" de entrada no Museu, aberta a Sul, o Museu procura uma implantação dentro de uma lógica construída existente, alinhando a fachada principal para a praça, pelas construções existentes e recuperando a implantação do edifício a ser demolido. Esta peça abstracta estabelece uma relação directa com a praça através do único, grande vão que para além de servir de entrada, funciona também exteriormente como montra deste espaço museológico e interiormente como "tela animada".
O espaço de praça frontal ao Centro de Interpretação Ambiental e Unidade Museológica será pavimentado em seixo no sentido de dar continuidade à pavimentação já existente actualmente no espaço contíguo e frontal à escola. O pelourinho existente será desmontado e reposicionado de modo a que a sua leitura passe a funcionar como elemento de referência desde o interior do jardim do museu.
O círculo de granito, lugar onde se efectua a fogueira de natal, passará a estar localizada à distância necessária de um conjunto de peças arbóreas implantadas no espaço da praça, com a função de criar a sombra necessária nos meses de verão e uma protecção aos ventos frios que se fazem sentir insistentemente naquele lugar.
O jardim organizado em dois níveis, pretende dar continuidade para o exterior à exposição do espólio através da colocação de peças de grande porte integradas no espaço como elementos de valor cultural e artístico. Este espaço articula-se com a cobertura visitável através de um escadaria, com função de saída de emergência, que constrói o alçado Oeste e onde serão também colocadas peças em exposição.
O acesso a este espaço de jardim desde a praça é controlado pela existência de dois portões de vidro, que apesar de não permitirem a entrada permitem a visualização dos espaços interiores de modo a que estes sejam entendidos como um espaço da comunidade que convida à sua fruição.
Esta transparência dos portões permite também desde o interior apreciar o espaço da praça, dando especial ênfase ao cruzeiro, colocado axialmente a uma destas.
AUTORES
FÁTIMA FERNANDES E MICHELE CANNATÀ
COLABORAÇÃO
ANDRÉ LIRA
BRUNO MARQUES
CRISTINA NEVES
DANIELA CAMPOS
MARTA LEMOS
NUNO CASTRO
PATRÍCIA MORENO
ESTRUTURAS
TORÇÃO - GIL SILVA GUSMÃO
REDE DE AGUAS E ESGOTOS
TORÇÃO - GIL SILVA GUSMÃO
INSTALAÇÕES E EQUIPAMENTOS MECÂNICOS
GET - ALFREDO COSTA PEREIRA
INSTALAÇÕES ELÉCTRICAS, TELEFÓNICAS, INFORMÁTICA E SEGURANÇA
LIGHTPLAN - FERNANDO SILVA
LOCALIZAÇÃO
BEMPOSTA, MOGADOURO. PORTUGAL
DATA DE PROJECTO
2003
PRÉMIOS
1º Prémio atribuído pelo júri do concurso