A imagem que o edifício pretende propor é a de um volume rochoso, de matéria cristalina, evocador das rochas de talho paralelipipédico do Côa e das escuras e grossas garrafas do Porto Velho. Esta dualidade entre natureza e artifício está sempre presente nas opções do projecto. Se por um lado se pretende que o edifício se relacione com a montanha com o fazem as peças de xisto em aparente deslizamento e facturação, queremos que este volume se autonomize e apresente como uma obra artificial e produto do engenho humano.
Um volume caracterizado pelo uso de um material artificial capaz de introduzir na paisagem um elemento que a enriqueça e engrandeça. Um paralelepípedo encastrado na encosta gerador de novas formas de humanizar o território e competir com a natureza. Um volume simples, uma geometria marcada pelas fissuras que a partir da cobertura acedem a uma praça coberta para distribuir as diversas funções, como ribeiras e sulcos de água no período das chuvas.
Um volume que permite e acentua uma permeabilidade visual desde os vários pontos claramente orientados da praça interna estabelece possíveis articulações funcionais e miradouros orientados sobre o território. Um volume com uma espessura de 13 metros que, em função das exigências funcionais, se articula em um, dois ou três níveis.
A cota mais alta do edifício (+ 310.00) é constituída pela cobertura cortada por amplas fissuras que permitem a visualização do céu e do horizonte e iluminam de forma natural uma grande praça em grande parte coberta com um pé-direito superior a 5,30 metros.
A praça coberta, à cota (+ 304.00), funciona como momento de encontro dos visitantes e de distribuição a três sectores do edifício: entrada do Museu, entrada do Serviço de Administração do Parque e acesso a algumas áreas técnicas comuns. Este espaço de paragem e esplanada do bar, coberto do sol e ventilado no Verão e protegido da chuva e dos ventos no Inverno, reúne grupos de visitantes em conforto antes da entrada ao espaço interior e proporciona descanso e repouso após a visita às áreas arqueológicas do vale.


AUTORES
FÁTIMA FERNANDES E MICHELE CANNATÀ

COLABORAÇÃO
MARTA LEMOS
NUNO CASTRO
BRUNO SILVA
CRISTINA NEVES
PATRÍCIA MORENO
DANIELA CAMPOS

FUNDAÇÕES E ESTRUTURAS
G.O.P. - JOÃO MARIA SOBREIRA

REDE DE AGUAS E ESGOTOS
G.O.P. - RAQUEL FERNANDES

INSTALAÇÕES E EQUIPAMENTOS MECÂNICOS
GET - ALFREDO COSTA PEREIRA

INSTALAÇÕES ELÉCTRICAS, TELEFÓNICAS, INFORMÁTICA E SEGURANÇA
OHM - FERNANDO SILVA

CLIENTE
CÂMARA MUNICIPAL DE MOURA

LOCALIZAÇÃO
VILA NOVA DE FOS CÔA. PORTUGAL

DATA DE PROJECTO
2004
MUSEU DE ARTE E ARQUEOLOGIA DO VALE DO CÔA
Projectos