Há mais de 30 anos que alguns países Europeus abandonaram a política de expansão dos centros urbanos para orientar o próprio desenvolvimento através da recuperação do património existente. Tratava-se de reconhecer a impossibilidade de desenvolvimento ilimitado encontrando, na requalificação do existente, um factor de crescimento económico. A partir do controlo do consumo do território agrícola até à limitação da mobilidade, os núcleos urbanos consolidados constituíram um novo objectivo estratégico na gestão dos recursos económicos e culturais. Recuperar o património existente significou recuperar os caracteres arquitectónicos específicos de um lugar, partes de memória colectiva, de técnicas construtivas, de infra-estruturas primárias, introduzindo novos aspectos económicos, vitais para a dinâmica social.
Em Portugal, devido às diferentes fases de desenvolvimento e às diferentes vicissitudes políticas, a atenção pela problemática da recuperação do património existente encontrou momentos de interesse apenas nos últimos anos. Um interesse motivado principalmente, mais do que pela atenção aos processos de equilíbrio territorial e de poupança de recursos, aos caracteres turístico-culturais (ver o processo de classificação e candidatura a património mundial) dos principais centros históricos e em particular dos núcleos mais antigos e mais ricos de presenças arquitectónicas com carácter monumental.
Esta atenção pela cidade histórica, por parte das instituições públicas, não foi acompanhada pelo interesse por parte do sector privado, que continuou a praticar os processos de obra mais fáceis e mais lucrativos, de urbanização de novas áreas e realização de novas construções. A actual situação, nas grandes orientações, é caracterizada em linhas gerais pelos seguintes pontos:
 - Um evidente desequilíbrio territorial no que se refere à relação entre áreas interiores, áreas metropolitanas e centros urbanos da faixa litoral. O despovoamento do interior provocou o abandono dos núcleos rurais e das zonas com menor possibilidade de desenvolvimento económico, deixando num estado de profunda degradação o património edificado.
- Um processo de envelhecimento do património e da população, no interior dos grandes centros urbanos, que resultam num progressivo abandono e degradação das habitações, ausentes dos necessários requisitos de habitabilidade.
- Crescimento das áreas periféricas aos grandes centros urbanos, caracterizadas por uma construção de baixa qualidade e com baixo nível de infra-estruturas, orientado para uma visão de gestão de território limitada a tempos breves.
- Ausência de uma politica de incentivos orientada para uma recuperação das áreas centrais degradadas e, em particular, da habitação.
- Ausência de um elemento de reconhecimento da qualidade, quantidade e distribuição do património habitado existente.
- Ausência de investigação, experimentação e investimento nos processos de industrialização das componentes tecnológicas e de inovação das técnicas construtivas.

Respondendo a esta realidade, no âmbito da Concreta 2004, a iniciativa pretende propor algumas soluções de carácter inovador com o objectivo de contribuir para a requalificação do património habitacional e abrir novas perspectivas ao mercado da construção.
Em especial, a ideia principal sobre a qual se desenvolverá o projecto diz respeito aos elementos de infraestruturação complementar à função de habitar contemporâneo, isto é, ao núcleo sanitário e ao núcleo cozinha.
A ideia, claramente sem qualquer novidade, propõe a realização de elementos prefabricados que, utilizando processos industriais, permitem uma requalificação funcional e arquitectónica de edifícios existentes desprovidos desses serviços essenciais. Uma proposta construtiva destinada a ser realizada com materiais e tecnologias presentes no mercado nacional. Pretende-se, como nas edições passadas, com o caso da Casa Inteligente (Concreta 2002) e Módulos Autosuficientes (concreta 2003), realizar protótipos que demonstrem as potencialidades das soluções através da proposta no sector da requalificação urbana.
O projecto concentra-se sobre estes dois elementos (sanitário e cozinha) na medida em que se reconhece a importância do papel que assumem dentro de uma hipótese de uma forma de habitar com a qualidade imprescindível para a vida actual. Pretende-se realizar uma proposta capaz de dar respostas simples à difícil situação do património existente.
A filosofia de intervenção tem em consideração uma série de variações em função dos custos futuros do produto, da dimensão do módulo funcional, das possibilidades de colocação no interior de espaços existentes, da facilidade de montagem e de articulação às redes de infra-estruturas existentes.

OS MATERIAIS:
Estrutura: metálica, aço/alumínio
Paredes: aço, alumínio, vidro, Pedra, madeira, cerâmica, betão, PVC
Pavimento : aço, alumínio, vidro, Pedra, madeira, cerâmica, betão, PVC
Cobertura/ tecto : aço, alumínio, vidro, Pedra, madeira, cerâmica, betão, PVC
Aquecimento
Electricidade
Rede de águas e esgotos
Electrodomésticos/ peças sanitárias
Torneiras
Acessórios (banho e cozinha)


AUTORES
FÁTIMA FERNANDES E MICHELE CANNATÀ

COLABORAÇÃO
ANDRÉ LIRA
BRUNO SILVA
MARTA LEMOS
NUNO CASTRO

CLIENTE
EXPONOR. MATOSINHOS. PORTUGAL

CONSTRUTOR
SENDA

LOCALIZAÇÃO
MATOSINHOS. PORTUGAL

DATA DE PROJECTO
JULHO 2004

DATA DE REALIZAÇÃO
OUTUBRO 2004
UNIDADES DOMÉSTICAS
Projectos