A realização do Núcleo Museológico O Mundo Rural, ainda antes de constituir um momento de construção de um lugar da memória colectiva, dos processos de produção ligados ao mundo rural, propõe-se como momento de requalificação de um núcleo urbano de uma comunidade rural que pretende manter viva a tradição local, não como memória estática mas como matéria de construção evolutiva da qualidade de vida dos seus habitantes.
O lugar escolhido para realizar estes objectivos de carácter geral assume um importante significado, na medida em que se encontra localizado na proximidade de algumas presenças arquitectónicas mais significativos como a Igreja e o Jardim da Misericórdia. O espaço mais específico onde se deverá localizar o Museu é constituído por um interessante edifício, originariamente com a função de lagar, do qual se pode identificar uma característica unidade tipológica de tipo rural que perdeu no entanto, ao longo dos últimos anos, as suas partes específicas que lhe permitiam então ter uma identidade de lagar.
Lateralmente, a presença de um jardim caracterizado pela presença de um conjunto imponente de fontes ordenadas segundo eixos de concepção barroca, articuladas com um palacete de excepcional qualidade arquitectónica, induz-nos a pensar que este conjunto incorpora um potencial único de espaço destinado a exercer no futuro uma função de carácter eminentemente pública e cultural.
Definir critérios e princípios de projecto significa, antes de tudo, reconhecer os valores das preexistências materiais e patrimoniais no sentido mais amplo. Este processo implica um atento e coordenado trabalho de equipa, no qual as várias componentes sejam reconhecidas interactivamente.
A base da recuperação social física e histórica através da requalificação dos núcleos antigos é uma directriz mais do que experimentada que, também neste caso específico, demonstra ser o único caminho para a revitalização das cidades.
A conservação museológica ou o abandono seriam ambos aspectos destrutivos da continuidade vital dos núcleos antigos.
Colocado o problema nos termos de uma intervenção capaz de dar uma resposta funcional a um programa museológico, em paralelo com a filosofia de reorganização de espaços abandonados no interior de uma parte dos núcleos urbanos em fase de requalificação, e cujas vicissitudes são de interesse patrimonial, ocorre estabelecer as condições do projecto que passamos a enunciar:
Estabelecer uma relação de continuidade entre espaço público envolvente e museu com o objectivo de realizar uma maior integração entre vida quotidiana e actividade cultural.
Separar os diferentes circuitos das actividades do Museu no âmbito de um espaço arquitectónico definido;
Organizar as actividades paralelas das exposições temporárias, oficinas, serviços educativos e multimédia, em grandes espaços interligados, com grande flexibilidade.
Propõe-se a construção de um novo volume arquitectónico que funcionará como elemento de transição e de integração entre o espaço público exterior e o espaço expositivo instalado no antigo edifício.
O edifício preexistente será utilizado exclusivamente como espaço expositivo de tipo permanente e o novo volume articulado em três níveis será organizado de modo a proporcionar as funções de recepção, exposições temporárias, administrativas, consulta, depósito, oficina e sanitários.
AUTORES
FÁTIMA FERNANDES E MICHELE CANNATÀ
COLABORAÇÃO
ANDRÉ LIRA
BRUNO SILVA
MARTA LEMOS
NUNO CASTRO
FUNDAÇÕES E ESTRUTURAS
G.O.P. - JOÃO MARIA SOBREIRA
REDE DE AGUAS E ESGOTOS
G.O.P. - RAQUEL FERNANDES
INSTALAÇÕES E EQUIPAMENTOS MECÂNICOS
GET - ALFREDO COSTA PEREIRA
INSTALAÇÕES ELÉCTRICAS, TELEFÓNICAS, NFORMÁTICA E SEGURANÇA
OHM - FERNANDO SILVA GUSMÃO
CLIENTE
CÂMARA MUNICIPAL DE ARRAIOLOS
LOCALIZAÇÃO
ARRAIOLOS. PORTUGAL
DATA DE PROJECTO
2003
DATA DE CONCLUSÃO DA OBRA
2008
PRÉMIOS
1º PRÉMIO atribuido pelo juri do concurso